segunda-feira, 29 de maio de 2017

Arquimagos - Casamento de Arquimagos

Fanfic baseada na obra literária A Senhora do Trílio  de Marion Zimmer Bradley


Capítulo VI - A festa



A recepção ocorreu tranquilamente, para alívio dos regentes das duas terras, fartos de surpresas. A conduta de Mikayla e Fiolon durante a cerimônia ainda era comentada pelas mesas, e o fenômeno das estrelas também – que ainda foi vista tão logo o Sol se pôs. Quando questionado pelos magos, Fiolon deu a mesma resposta que dera a MIkayla; tudo era uma questão de estudo. Astrônomos antigos calcularam que um cometa passaria próximo do planeta e sua cauda provocaria uma chuva de meteoros: utilizou seus poderes para que parte deles projetasse a sombra no sol e outra parte ficasse suspensa tempo suficiente para formular a frase.
                – Qualquer mago com um pouco de dedicação conseguiria fazer – finalizou, deixando alguns entre constrangidos e enfurecidos.
                Ainda que tudo corresse bem, com o passar das horas Mikayla começou a sentir-se sufocada no meio de tantas pessoas que a felicitavam. Circulou alguns momentos com Fiolon, mas quando as formalidades foram encerradas, viu-se conduzida pela mãe para (re)conhecer os nobres presentes, e a partir de então não conseguira uma pausa sequer, já que toda hora cumprimentava um Lorde não-sei-de-onde, um Duque não-se-sabe-quem ou um Conde de-não-sei-que-lá.
                “– Passei tantos anos isolada na torre, que agora não consigo lidar com multidões” – pensou consigo mesma.
                ”– Ora, não foram tantos anos nem um completo isolamento!” – ecoou um comentário em sua mente. Mikayla sorriu para as damas que conversavam com ela sobre as maravilhas da vida a dois, e correu os olhos pelo salão à procura do dono do comentário. Fiolon encontrava-se em uma mesa distante, conversando com alguns duques do reino de Raktum. No instante em que seu olhar o encontrou, seu colar mágico vibrou e ele também mirou em sua direção, sorrindo.
                “– Pare de ouvir meus pensamentos!”
                “– É você quem não os bloqueia de maneira adequada!” – ele respondeu, enquanto ria com os demais duques de uma piada ordinária que haviam acabado de contar. “- Quer se retirar?”
                “– Acho que suporto mais um pouco!”
                Eles tornaram a trocar olhares e Fiolon estendeu a taça que trazia consigo, fazendo um brinde á distância. Mikayla fez o mesmo, entre as risadinhas daquelas que estavam consigo e que observavam a troca de olhares do casal.
                – Então é verdade o que dizem? – uma das damas perguntou
                – O que é verdade? O que dizem? – Mikayla quis saber, focando-as.
                – Que vocês se uniram antes do casamento?
                O rosto de Mikayla transfigurou-se, tornando-se vermelho de fúria. As mulheres que estavam com elas repreenderam a outra pelo comentário indiscreto, mas pareceram tão curiosas quanto. Mikayla analisou-as de cima abaixo: quem eram aquelas mulheres que invadiam sua intimidade?
                “Minhas noras!”, lembrou-se.
                Forçou um sorriso:
                – Sabem, fico impressionada com a quantidade de fofocas acerca da vida da pessoas no palácio, e é claro não me surpreenderia ter meu nome ou do meu marido rolando entre elas – e fingindo prestar atenção no líquido que bebia continuou – Eu só acharia arriscado ficar dando ouvidos à tais assuntos, as pessoas mencionadas podem se aborrecer, e quem sabe o que podem fazer um mago poderoso, ou uma ex-aprendiz de Arquimaga?
                As mulheres engoliram em seco, enquanto Mikayla se retirava graciosamente da companhia delas.
                – Ela acabou de me ameaçar? – perguntou a jovem nora indiscreta. Mikayla, que ainda estava próxima, não hesitou em responder.
                – Claro que não! – disse com um sorriso sarcástico - Eu jamais ameaçaria alguém no dia do meu casamento!  

                A festa durou até a madrugada, mas ao contrário do que esperavam, o casal não ficou até o fim. O cansaço abateu-lhes de maneira desesperadora, então optaram por uma retirada discreta - mesmo que não o fizessem, os convidados já estavam embriagados demais para notar. Cada um foi até seus aposentos particulares providenciar a substituição de seus trajes de cerimônia pelas vestimentas nupciais. As servas tiveram um trabalho extra para desmanchar as tranças de Mikayla uma vez que as flores engancharam-se em seus cabelos; quando terminaram, a jovem já não esperava mais encontrar seu marido acordado.

                – Você está linda! – disse Fiolon, assim que a viu entrar no quarto - Linda, linda, linda e agora é só minha! Ninguém poderá tirá-la de mim!
                – Não esqueça que sou da terra também! – respondeu Mikayla, fechando a porta atrás de si.
                – Somos! – ele completou, aproximando-se e beijando-lhe a testa.
                Uma sombra baixou os olhos de Mikayla, enquanto caminhavam em direção à cama.
                – O que houve?
              – Eu não estou linda Fio... tudo isso é charme. – ela retirou a magia, e os traços de criança voltaram a aparecer em seu rosto. – Vê?
                – Eu vejo a minha Mikayla, a Dama Branca, Arquimaga de Laboruwenda, e acima de tudo, aquela a quem escolhi amar desde os sete anos!
                – Mas ainda uma criança Fio... – ela disse, abraçando-o – As minhas noras insinuaram...
            – Eu ouvi o que aquela idiota comentou, mas, meu amor, quem se importa? É bom que pensem que dormimos antes, assim ninguém duvidará da consumação do nosso casamento! Ninguém precisa saber que ainda não somos formados, é o preço que pagamos em troca de zelar pelas terras. Não podemos fazer o que casais normais fazem na noite de núpcias, não agora, mas um dia poderemos. De tudo que nos aconteceu, o melhor ainda é permanecemos lado a lado, como sempre foi!
                – Nem Haramis pode prever esta: dois arquimagos pelo preço de um! – comentou ela, com a alegria voltando a iluminar seu rosto
                – Talvez ela tenha previsto, mas não compreendeu os sinais de maneira adequada. Mestre Uzum me contou na época que nós dois aparecemos na visão dela, nós dois! Ainda que não nos desgrudássemos, haviam momentos em que ficávamos sós, você seria vista sozinha.
                – Nunca soube disto... será?
            – É uma suposição... Eu nunca seria arquimago de Var se Haramis não tivesse nos sequestrado juntos e eu tivesse ficado doente, ou se eu não tivesse feito nevar na cidadela enquanto você aprendia feitiçaria do tempo...
                – ... ela não teria vindo pra cá e tentado nos separar com aquele feitiço horrível...
                – ... não teria ficado doente, o que possibilitou minha ida para a torre...
                –... e estudarmos juntos com Uzun.
                Eles ficaram em silêncio, relembrando a época em que tudo era motivo para que tentassem se comunicar. Eram crianças que queriam brincar juntos e a arquimaga má não queria deixar. Mas será que era isso que a terra queria?
                – São muitos “se’s”... – murmurou Mikayla.
                – E agora estamos aqui, com um futuro melhor do que tínhamos naquela época – ele riu.
                Mikayla olhou para Fiolon. Enquanto conversavam o charme também usado por ele se desfez, e o rosto imberbe exibiu o menino de catorze anos que ele também era fisicamente. Ela ficou satisfeita com isto: seu problema não era o retardo em seu próprio amadurecimento físico, mas sim que ele amadurecesse primeiro que ela.





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